Porque o sítio onde se trabalha devia poder ser mais do que um entra e sai de gente pela mesma porta e que não sabe nada de nós.
Porque tu sabias de mim. E eu de ti. E ríamo-nos muito as duas. De tudo e de nós próprias.
Quem me conhece sabe que, este ano, ando sempre a queixar-me da falta de tempo e deve achar-me ridícula.
Estou insuportavelmente focada no trabalho, que só faz sentido se for bem feito. Mas pelo menos uma tarde só para trabalhar faz-me tremendamente falta. Posso dar aulas sem as preparar, mas não posso preocupar-me com toda e cada cabeça que me povoa a sala se não me sentar a pensar em estratégias para todos. Às vezes, dou comigo a achar-me idiota por fazer atividades diferentes em duas turmas do mesmo ano. Perder tempo à procura do vídeo X, fazer o guião na véspera e imprimi-lo porque não foi cedo o suficiente para pôr a fotocopiar na escola. Depois tudo me parece absurdo quando chego à sala e eles não me correspondem e fico frustrada pelo tempo roubado à minha vidinha para pensar neles.
Este ano, faço tudo às pinguinhas, a conta-gotas, e a vida é impossível sem listas de coisas para fazer, coisas que se vão acumulando porque há sempre as urgentes, as "para amanhã"; por isso, nunca chego ao fim da lista.Nunca. Por isso, a arrumação da lavandaria está em stand bye, a roupa do miúdo que já não serve ainda está nas gavetas, as fotografias para pendurar ainda não foram impressas, os cds continuam desarrumados, o cesto da roupa passada demora uns dias a ser arrumado, no frigorífico ainda não há iogurtes, as faturas que vão sendo pagas acumulam-se no móvel da sala, a carta com o tempo de serviço para confirmar ainda não foi mandada, ainda não liguei à Zon a falar do encravanço da box, ainda não escrevemos a carta a reclamar da conta exorbitante da água este mês, ainda não fui dar um jeito à cor ridícula em que se transformou o meu cabelo, ainda não comprei o filtro do aquário, nem a comida da gata....
Tudo se complica com as escadas, que o miúdo não sobe nem desce quando quer, porque a grade não lho permite. Uma casa com escadas e filhos não sã compatíveis.Noutra vida, quero uma casa sem escadas. Porque quando eu quero fazer o jantar, ele quer ir brincar no quarto; porque quando eu quero ir ao escritório adiantar a trabalheira, ele quer brincar na pista da sala lá em baixo e fazer corridas....
Gosto de trabalhar e de ter ideias e de cativá-los com coisas diferentes. Gosto de quando os surpreendo e eles me dizem, assim do nada, que as aulas são giras e se aprende para além dos livros. Esta semana falámos de Dante, do Inferno e do Paraíso. Gosto quando lhes troco as voltas e os ponho a pensar,como quando disse que aquilo era tudo muito fácil, mas na matéria X é "que a porca torce o rabo". Gosto que pensem que é tudo surpresa, quando, afinal, foi tudo pensado; esta geração não sabe nada de expressões idiomáticas; gosto que pensem que eles me estão a levar, quando, afinal, eu é que os levo a eles.
Mas custa, caraças, custa. Custa não sentar um minuto no sofá durante uma semana a não ser durante os cinco minutos matinais às 7h , ao pequeno almoço. Custa não me escarrapachar no puff à frente da lareira e fechar os olhos. Custam tantas outras coisas.
Uma pessoa como eu, que sempre se deitou cedo e se levantou cedo, tem as suas fraquezas.Vão longe os tempos da universidade em que me deitava cedo para estudar pelas 5 da matina, quando todos os outros faziam o contrário. Está-me no sangue. À noite, não funciono. Portanto, como de dia estou na escola, sobra pouco, intervalinhos de horas mal amanhadas para fazer isto e aquilo à pressa; duas ou três horinhas na última manhã da semana, aquela em que o corpo e a cabeça já pedem sossego. Mas tem de ser. De noite. Às pinguinhas. Meio feito , meio por fazer. Porque não é possível de outra maneira.
E quando em dias como hoje em que o pequeno pede atenção, está moído da febre e quer a mamã, tudo fica para outro dia, um outro dia, quando houver tempo.
Porque o tempo passa tão depressa que um dia destes já não é o meu bebé (embora o vá ser sempre) e não quero aperceber-me de que ele cresceu e eu não estive lá.
e inflamou a sala toda....
Não é nem a Pretty Woman nem Women in Red. Aliás, de sexy não tem nada.
É (só) a filha da mãe da vírose. E quase 20 meninos hoje não foram à creche, incluindo o meu piolho.
Deve ter sido um grande festival de fofoquice lá com as educadoras de folga. Cá por mim, sempre gostava de saber porque não avisam os outros pais quando o primeiro falta e o médico dá o diagnóstico, e o segundo e o terceiro, e só falam connosco quando já não há nada a fazer senão ficar de molho.
Que giro que foi saber das três, ali ao mesmo tempo, meio a brincar, meio a sério. Mas estás mesmo! Não estás nada! A sério? Estás a gozar! E ela, está mesmo?!
Lá para o calorzinho do Verão, teremos mais dois Pitágoras-bebés e um Sócrates (salvo seja!)!

A ver se me entusiasmam, hein?!
A minha vida corre-me bem, porém não estou feliz.
Pudesse eu salpicar de saúde as pessoas da minha vida e enxotar o que nos rouba a normalidade, a capacidade de sermos nós próprios no estado em que sempre nos conhecemos, a coisa mudava de figura.


Começámos o ano bem cedo, à hora de despertar habitual, que o miúdo é feito de rotinas que custam a ser quebradas.
A meio da manhã, no quarto dele, era noite de novo. O pequeno ditador quis a luz apagada (já estava, era de dia!), repensou a lógica da claridade e pediu que fechasse a persiana, ordenou que ligasse o globo e o fantasminha do IKEA e ainda foi procurar a lanterna "à mineiro" que o pai lhe dera na noite anterior, com opção para luz branca e vermelha e com um elástico jeitosinho para pôr à volta da testa. Montado o arsenal, começava a brincadeira com a banda sonora instrumental e os tambores a rugirem no leitor de CD. Juntou as carruagens e as cargas pesadas dos comboios da LEGO e fechou a porta do quarto. " Mamã, tou a brincar!" (Como quem diz, vai lá à tua vidinha e deixa-me aqui sossegado, que quando eu precisar, eu chamo.)
No outro dia, por entre o zapping desses Natais dos hospitais televisivos, chamou-me à atenção uma voz que me pareceu familiar. Espreitei e confirmei; lembrava-me do miúdo com garra que há uns anos andou por esses Festivais. Volvidos cinco anos, tornou-se compositor e lança agora um álbum. Uma voz forte e uma preocupação grande em não deixar palavras por dizer...
Single novo aqui.

Ir para o sofá ver um filme à lareira... Ir para o escritório fazer planificações..
Ir para o sofá ver um filme à lareira... Ir para o escritório fazer planificações...
Ir para o sofá ver um filme à lareira... Ir para o escritório fazer planificações...
Ir para o sofá ver um filme à lareira... Ir para o escritório fazer planificações...
Ir para o sofá ver um filme à lareira... Ir para o escritório fazer planificações...
Raios partam o sentido de responsabilidade!

O que eu já me ri hoje com isto!!!
Quem escreveu o post até pode ter muita razão, mas de certeza:
- é gaja;
- tem uns quilinhos a mais;
- tem só assim um chiquititozito de inveja....
hihihihihihihihihihi
Só para que conste, a Luísa Beirão tem muito mais charme do que a outra. E é do norte, carago!

Não é por se terem passados uns bons meses desde que me sentei no sofá a ver um filme...
Não é por ter um marido que fez o caminho a Santiago de bicicleta e me passa a vida a tentar convencer a ir....
Não é por o filme ser uma profunda descoberta da amizade e da condição humana e do que andamos todos cá a fazer...
Não é pela banda sonora e pelo desempenho do Martin Sheen...
Não é pelo toque humorístico requintado e pelas profundezas de todos nós e dos nossos pensamentos...
Não é por ter algo em comum com o Into the Wild..
Nem sequer por ser fim de ano e de balanços e altura de repensarmos o nosso caminho..
Mas cá para mim, este é um filme a não perder.
Quem sabe, um dia......
Well, some of these don't suit me but I guess others fit me perfectly....
e o que me enerva que emagrecer esteja sempre no topo destas listazinhas por todo o youtube....
o meu outro blogue com bem menos que ler
Outras CURTAS que curto
CURTAS de mãe
CURTAS delícias
CURTAS Língua Portuguesa
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