Escritos de quem absorve com um olhar crítico e emocionado as curtas metragens que são as experiências de todos os dias...
Domingo, 15 de Novembro de 2009
Sem dó nem piedade (Raios partam o puto do vírus)

                                                

Não gosto de gripes e muito menos da A por todos os motivos, mas agora que parece ter atacado a minha família, odeio-a sobremaneira.
-Odeio-a porque se propaga que nem cogumelos e somos três professoras na família a lidar com miúdos todos os dias, alguns deles sem água em casa....;
-Odeio-a porque há gente sem um pingo de vergonha que vê o filho com febre e manda-o na mesma para a escola para não  andar a chatear em casa;
-Odeio-a porque tenho um bebé de três meses maravilhoso que quero preservar deste mal;
-Odeio- a porque me impede de sair de casa descontraidamente com o meu rebento e nem ao shopping posso ir  para fugir à chuva lá fora;
-Odeio-a porque anda tudo histérico e eu , que andava despreocupada a pensar que ia passar incólume por mim, afinal devo começar a preocupar-me;
-Odeio-a  porque tenho amigas grávidas;
-Odeio-a muito mais depois de ler isto.



Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
Sexta, 13

O dia ainda não chegou ao fim, mas parece-me que não vai acontecer muito mais, talvez um chorinho extra pela vacina mensal ... É um dia como outro qualquer, não há gato preto que me assuste, nem espelho partido que me afaste.  O prato forte do dia foi mesmo ouvir pela enésima vez alguém dizer sobre o meu rebento: "Tem mesmo cara de rapazinho!" Pois então, se o miúdo é mesmo gajo, havia de ter cara de quê?Sai ao pai, está visto.

Há porém gente que leva isto da sexta, 13, muito a sério.  Há mesmo por aí quem ache que só a bruxa o pode salvar das manhas do mundo. Vistas bem as coisas, é mais um dia no calendário, temos pena.

Não obtante,ter um dia de azar, ainda que não marcado na agenda, é bem melhor do que viver em permantente infortúnio. Que o diga Sam, o mais recente (anti-) herói das minhas séries, em desventuras engraçadas e despretenciosas, muitas vezes hilariantes de tão ridículas. Check it out.

 




Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Regresso ao passado

Já não há pachorra para isto  a toda a hora na TV e na rádio e, se bem que isto até tem a sua piada ( se eu me esquecer que até estou parecida com ela...), na verdade o que vem mesmo a calhar agora, para matar saudades, é ouvir isto. Bons tempos!




Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
Ídolos

 

Já bem sabem que gosto de rir, de mim e dos outros; bem, principalmente dos outros, de quem não sabe medir-se, avaliar-se, ver-se ao espelho, enfim, manter-se no seu lugar. Por isso tenho sido fiel aos Ídolos e pouco me tem escapado dos castings, esse infinito desfile de gente sem auto-estima e vergonha na cara, salvo algumas excepções agradáveis, este, esta, e mais um ou outro. Não se compreende bem o que leva tanta gente a fazer figura de urso à frente do país; seguir um sonho sem cabimento só porque sim é teimosia , casmurrice, que rima mesmo com burrice.
Já lá vão anos desde a edição anterior, de que pouco me lembro, e tenho muito mais presente a edição americana do programa, produzida com meios proporcionais à audiência,  mas tenho a impressão de que a qualidade do novo programa é extremamente reduzida. Senão vejamos:
- A escolha do júri é duvidosa. O presidente do júri, apesar de ter uma gargalhada fantástica e de ter razão no que diz, é bruto que se farta e goza em excesso com quem lá vai e se tem em boa conta. A Roberta Medina é gira e dá nas vistas lá no meio, mas não sabe muito bem o que está ali a fazer e é tão lacónica nos seus comentários quanto errada nas escolhas que faz dos concorrentes. Amiúde diz coisas como : “ Foi bacana.”, “Você não chegou lá”, ou “ Você tá amarrada.”Eu não percebo nada de música, mas um membro do júri não deveria ter um comentário mais elaborado? Há ainda o tipo que se senta na ponta, o que se diverte a amarrotar os papéis amarelos e que tenta fazer um ar de mau.  Sobra um tal de Laurent a salvar a honra do convento, meigo quando a coisa merece palmada, e a desenganar convenientemente cada alminha sonhadora que se meteu naquelas andanças.
- Por muito que achasse piada ao João Manzarra no Curto Circuito e por muito alegre e gira que seja a Cláudia Vieira, não se percebe muito bem o que estão ali a fazer, ainda por cima dois apresentadores, quando na verdade, ninguém está interessado no que têm para dizer, já que outros valores ofuscam a piada de um e a simpatia da outra.  
 
-O programa em si está mal produzido. Digo eu, que gosto de meter a colherada nestas coisas de produção. A gente quer é ver como cantam os concorrentes, de preferência muito bem ou muito mal. A gente não quer ver, como na última semana, sequências de comentários do júri a dizer isto e aquilo, a rir-se assim e assado, zangado com este e aqueloutro, irritado com este e mais esta. Não nos interessa tampouco ouvi-los falar sem perceber a quem se dirigem para ver se têm ou não razão. E, finalmente, caramba, quem é cromo é cromo, já se percebeu noutras semanas, e por muito maus que sejam alguns aspirantes a cantores, não é preciso passar as mesmas imagens vezes sem conta,repetir a humilhação pública de quem não pensou bem no que se metia, as mesmas aves raras embaraçadas em frente ao ecrã, vezes sem conta no mesmo episódio. Chega de bater no ceguinho. Não se percebe. O protagonismo está trocado. Passados os castings, a gente quer ver é como cantam os que passaram e que ainda não conhecemos; já chega do regresso ao passado dos atrasadinhos….ou então, mais vale mudar o nome do programa.
 



Domingo, 8 de Novembro de 2009
Mesmo bom para ouvir num domingo à tarde de Inverno, à lareira...

 


: Legendary Tiger Man-Life aint enough for you
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Amanhã será um novo dia

 

Apanho um susto valente com o despertador do telemóvel às 6h30. Hora da mamada e o miúdo nem acordou. Ponho-o ao peito. Mama e dorme agarrado a mim. O P. despede-se de mim e inveja a minha manhã tranquila: “Agora vais dormir , não é?”Assim julgava eu.
 O peste do cão não cessa de uivar ao portão. E eu nem sabia que os bichos apanhavam depressões por falta de companhia. O miúdo parece estar no sétimo sono. O meu é que já se foi. Faço planos. Meto o cão na cozinha para o calar. Junto o café ao leite e torro um pãozinho com queijo. Há dias que acordo esfomeada. Volto para a cama com o pequeno-almoço e o portátil, pronta a ver mais um episódio, ou dois, até ser novamente hora. Faço tudo sem barulho, mas até a trinca no pão tostado parece uma barulheira. Começo a ver. Dou mais uma trinca. O raio do computador pede para ser ligado à corrente. Ponho Pause. Saio de novo da cama e vou lá baixo buscar a ficha. Dou mais uma trinca. O puto espreguiça-se e acorda. Ponho Pause. Põe-se a olhar a macacada por cima da cabeça. Abençoado móbil. Vejo mais um pouco. O pão está a terminar. O queijo está bem derretido. Reparo, com pesar, que o guardanapo caiu para debaixo da cama, tento alcançá-lo em vão; pouso o pão na mesinha para lhe chegar e faço uma tremenda porcaria na madeira sem querer. Escorre-me queijo das mãos, cai para o edredão. Que falta de sorte. Ouvem-se uns barulhinhos na porta do quarto; o gato quer ir lá fora. Ponho Pause. Abro-lhe a porta. Volto ao ecrã. O pequeno ri-se para mim e quer conversa, ponho Pause. Converso um pouco. Volto ao ecrã. Oiço uns ruídos de rajada. A fralda deve estar cheia. Mais Pause, que sou persistente. Volto ao ecrã. Já nem percebo nada daquilo. O que é que aconteceu? Quem é aquele? Aquela é lésbica? O rapaz continua a palrar e a mexericar. Cedo, derrotada,  mais vale ver isto noutra altura; agora é hora de voltar a ser mãe.
Moral da história:
1-      Nunca levar um cão passar uns dias a locais com animais, sob pena de depois ter saudades;
2-      Tomar sempre o pequeno-almoço na cozinha;
3-      Ver sempre séries na televisão à hora em que são transmitidos, que pelo menos a bateria não acaba;
4-      Não ter gatos;
5-      Nunca fazer planos quando se tem um bebé; saem sempre furados.
6-      Manter a esperança de acabar de ver o episódio de Flashforward. Nem que seja daqui a umas semanas….
 
 



Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
A tradição ainda é o que era

 

Mudar de rotinas não é fácil. Então com um bebé ainda pior. Nos primeiros dias da semana em que estive em terras ribatejanas, travei uma luta constante contra todo e qualquer som ou ruído que pudesse prejudicar o sono tranquilo do meu rebento, habituado à minha existência quase invisível em termos sonoros dentro de casa.
                               
Primeiro, eram as vozes das gentes da casa com predominância para a masculinas, que reinam naquela habitação. Depois, a canzoada. Já não chegassem os cães no pátio, mais o meu que também teve direito a férias do norte, ainda os vadios que por lá andam à espera da comidinha…. Pestes! E mais os da caça que são soltos em certas alturas do dia. Portanto, imagine-se a sinfonia cada vez que um deles se lembrava de ladrar ou mesmo uivar.  De gritos!
A casa da minha sogra fica numa parte da cidade que ainda se assemelha à aldeia e,por isso , há tradições que se mantêm. Por exemplo o padeiro, que aparece na rua, vendendo a partir da sua carrinha. Não raras vezes, do lado de fora da janela de um dos quartos, apita a buzina duas vezes continuamente para chamar a clientela: Pi-pi-piiiiiiiiiiiiiiiiiii Logo no primeiro dia, assustou-me a criança que acabara de adormecer. Vai daí, pedi à sogrinha que avisasse o homem para ser mais discreto e , pelo menos, não buzinar em frente à janela.:”É que me acorda o netinho…” No dia seguinte, sensivelmente à mesma hora, dormia o pequeno , e oiço antes de chegar à casa dois pi-pis discretos para, logo mais à frente, mesmo ali ao lado da janela, o tipo voltar ao Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii esfusiante. Portanto, o padeiro acedeu ao pedido, não buzinou em frente à janela, mas escusava de o fazer logo dois metros è frente. Enfim, o homem tem de trabalhar. O miúdo deu duas voltas com o barulho e voltou a dormir. Que se habitue!

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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Quadro perfeito

Eles riem-se que nem uns doidos, soltam gargalhadas pequeninas e sonoras pela boca com poucos dentes, fazem uma chinfrineira os dois, quase uma música desafinada; acabam-se as dores disto e daquilo, para o tempo;  mexem-lhe no pézinho (na mão a mãe não deixa!), dizem baboseiras ternurentas, adivinham correrias futuras, batem palminhas muitas vezes,  e deliram com o fechar de olhos do miúdo. Voltam a rir como antes eu nunca vira.

Trouxe-lhes uma luz, uma razão para viver mais um tempo; um príncipe.

É assim a festa quando o levo a  visitar os bisavós aqui na casa ao lado...

 

                




Terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Fosga-se

(Sozinhos, ao almoço)

 

Sogro: Ele é a coisa mais linda! Tão perfeitinho!!!

Eu: Pois. Branquinho....

Sogro: E está sempre a rir e a mexer-se!

Eu: Pois. Bem disposto....

Sogro:  E só olha para ti, ó João.

Eu: Pois. Fofinho...

Sogro: E como vai ser quando fores trabalhar? Vai para o infantário, não é?

Eu: Pois.... que remédio...

Sogro: (Pausa) Coitadinhos, começam a sofrer logo de pequeninhos!

 

(Eu:  Yeah , LIFE SUCKS!)  




No Ribatejo

 

Lá viemos passar uma semana a casa dos sogros. Não é possível conceber a tralha que uma criança traz atrás de si para uma viagem, desde a roupa (vai fazer frio ou calor?), os produtos de higiene, mantinhas, almofada de amamentação, macacada e berço. Sim, apesar de haver cá uma alcofa emprestada, viemos com ele atrás, não fosse o diabo tecê-las. E ainda bem, que o miúdo quase não cabe nela! E além disto tudo, ainda mais a nossa roupa, calçado, o carrinho de bebé (enorme, mas foi emprestado e por isso serve bem...), a bicicleta do P. e… o cão. Portanto, se alguém viu, na auto-estrada, uns labregos de carro atolado tal qual férias de Verão, éramos nós. Só não temos é o terço pendurado no retrovisor interior nem ouvimos Dino Meira.
O miúdo dormiu a viagem toda e, mal cá chegou, surpreendeu toda a gente, até a mim, com uma sessão de risos,  “palranço” e guinchinhos, acompanhados de um forte espernear de braços e pernas. Estava doido. Hoje acho que excitado é a palavra certa. Bem se percebe que os avós querem estar com o miúdo e conhecê-lo, mas o pior é o que vem de atrelado. Junto à visita aos avós, aparece um sem número de parentes e conhecidos “para ver o menino”. E nem precisam de ser muitos na verdadeira acepção da palavra; cinco ou seis caras estranhas a falar com ele, a tocar-lhe o corpo e a desafiá-lo durante uns minutos chegam bem para me desregularem o rapaz. (Ainda hoje de manhã no programa matinal da Sic, um pediatra, a propósito das visitas ao recém-nascido,  relembrava que as pessoas não se dão conta de que quem visita até são poucos de uma vez e vêm por pouco tempo(espera-se!), mas são vários ao longo do dia, porque quem é visitado são sempre os mesmos; e somado o tempo em que se recebeu as visitas dá um tempo descomunal para a criança e  os pais suportarem.)
Tudo é diferente para o miúdo, habituado a pouco barulho e à minha (quase exclusiva) companhia. Desde os espaços, calculo que os cheiros, às vozes das gentes da casa pouco habituadas a sussurros e pezinhos de lã. A primeira noite foi dolorosa. O miúdo, habituado a mamar pouco tempo durante a noite devido ao sono e a adormecer simultaneamente, sem precisar de mais nada, acordou três vezes de noite, cada uma a mamar mais de meia hora e quando regressava ao berço ria-se que nem um doido, esperneava e queria conversa. Para ajudar à festa, cada vez que me levantava da cama para o espreitar ou pôr a chupeta, aquela rangia fortemente, de modo que, mal o miúdo fechava o olho e eu me mexia, decerto o abriria e começava tudo de novo. Escusado será dizer que quase não dormi….
Voltando às visitas. E correndo o risco de merecer a alcunha da Mau Feitio, há coisas que eu detesto (Politica de Rotweiler, parte 2) . Visitas na hora da mamada não, por favor. É um ritual sagrado, um momento de solidão entre mãe e filho, um refúgio do social quando tudo o resto falha. Portanto, comecei a dar recados à sogra, ao marido e ao cunhado para mandarem embora as visitas (ou mandá-las esperar) sempre que alguém vem a más horas. Mas nem sempre adianta.  Só ontem, fui interrompida duas vezes, por gente- expressamente avisada para não o fazer- que entrou porta do quarto (fechada!) adentro. Daí a estar de mama de fora à frente do tio do meu marido foi um saltinho…
Hoje a noite foi mais calma, o miúdo começa a ambientar-se, espero, além do facto de as pessoas estarem a trabalhar. Graças a Deus. É de manhã e já está a dormir um soninho… E pronto, assim vão as minhas aventuras e desventuras no Ribatejo.



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